Agente de transformação social, artista e gestor cultural, Frederico Eustaquio Maciel (conhecido como Negro F.) construiu, ao longo de mais de 25 anos, uma trajetória marcada pela articulação entre cultura, educação e mobilização social. Atuando a partir da região do Alto Vera Cruz, em Belo Horizonte, tornou-se uma das principais referências na valorização das culturas periféricas e na construção de iniciativas que conectam arte urbana, políticas públicas e desenvolvimento social.
Sua atuação inclui a presidência nacional da Nação Hip-Hop Brasil, a liderança do Instituto Vamos Juntos Periferia e a gestão da Agência Graffiti BR, um negócio social voltado à geração de renda e oportunidades para artistas e empreendedores das periferias. Ao longo da carreira, acumulou reconhecimentos importantes, como o da Endeavor, o Troféu Periferia Brasil, além de destaque em mídias nacionais, como no programa É de Casa.
Sua formação acadêmica reflete uma trajetória construída com propósito e persistência. “Minha jornada acadêmica foi construída na contramão das estatísticas para um jovem negro e periférico”, afirma. Graduado em Design Gráfico pelo Centro Universitário UNA, Negro F. recentemente concluiu o mestrado em Humanidades, Direitos e Outras Legitimidades pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP, onde desenvolveu pesquisa sobre o território L4 (Alto Vera Cruz, Taquaril e Granja de Freitas) como um arranjo produtivo local pautado pela cultura negra e periférica.
Durante sua formação, buscou integrar o conhecimento acadêmico à vivência prática nas comunidades. “O programa de Humanidades e Direitos me permitiu ressignificar o olhar sobre o Alto Vera Cruz e região, não mais apenas como um lugar de carência, mas como um território de potência e inovação”, destaca. Essa perspectiva tem orientado sua atuação profissional, inclusive como docente na Fundação Dom Cabral, onde leva o debate sobre o potencial transformador das periferias para diferentes espaços institucionais.
À frente de diferentes iniciativas, Negro F. comenta: “Esses projetos são frentes de uma mesma luta: a incidência política através da cultura”, afirma. Segundo ele, as ações desenvolvidas em rede e nos territórios contribuem diretamente para o reconhecimento das periferias como espaços de produção de conhecimento e inovação. “Entendo que as favelas e comunidades urbanas são arranjos produtivos próprios. Quando conectamos o graffiti com os muros das escolas ou estruturamos redes de empreendedorismo periférico, estamos criando tecnologia social.”
A experiência no mestrado pela USP teve papel fundamental na consolidação dessa visão. “O mestrado me deu o arcabouço teórico para sistematizar o que eu já vivenciava desde 1995”, explica. Para ele, a formação acadêmica ampliou a compreensão da cultura como direito e como ferramenta de transformação: “Ele me permitiu entender a cultura não como um ‘evento’, mas como um Direito Humano e uma ferramenta de emancipação econômica.”
O reconhecimento público de sua trajetória também tem ampliado o alcance de seu trabalho. “Os prêmios servem como um escudo e um megafone. Eles validam nossa tecnologia social perante o ‘asfalto’ e abrem portas que historicamente nos foram fechadas”, afirma. Ao participar de espaços de grande visibilidade, como programas de televisão e instituições de prestígio, reforça o compromisso coletivo de sua atuação: “Quando eu entro em espaços como a TV Globo, a Fundação Dom Cabral ou a USP, eu não entro sozinho — eu entro representando o Alto Vera Cruz, a Pedreira Prado Lopes e toda a vivência da rua. ”
Para jovens das periferias e também do ambiente universitário, Negro F. deixa uma mensagem de afirmação e pertencimento: “Não aceitem que definam a quebrada apenas pela ausência ou carência. Somos potência, somos criatividade e detentores de um saber que a universidade está começando a entender agora.”
Ao refletir sobre sua trajetória, ele também reconhece as raízes que sustentam seu caminho. “Minha trajetória é fruto do esforço das mulheres negras que me criaram”, afirma, reforçando o compromisso de seguir utilizando a arte e a cultura como instrumentos de transformação social.
O Escritório Alumni USP parabeniza o egresso por sua história inspiradora e por sua contribuição para a valorização da cultura periférica, o fortalecimento das políticas públicas e a promoção da transformação social no Brasil.
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