Crsitina Sayuri. Foto: Arquivo pessoal.

Depoimento: Cristina Sayuri

Da formação em Marketing na EACH-USP à liderança em inteligência de dados e autoria de um best-seller, a trajetória de Cristina Sayuri exemplifica como a pluralidade de repertório e o engajamento social podem transformar a análise técnica em estratégia de impacto. Sua jornada destaca a importância de conectar diferentes áreas para solucionar problemas complexos e reafirma o papel da Universidade na formação de profissionais que transformam conhecimento em inovação para o mercado e para a sociedade. Confira abaixo o depoimento de Cristina, uma egressa que personifica a busca contínua pelo aprendizado e o poder das conexões improváveis.

“Tem coisas que a gente só entende olhando para trás.
E conectando pontos que, lá no começo, pareciam completamente soltos.

Quando entrei na EACH para estudar Marketing, eu não imaginava exatamente onde aquilo ia dar. Mas hoje, olhando com mais distância, faz muito sentido que tenha começado ali. A EACH tem algo particular: ela junta, no mesmo espaço, pessoas e áreas que normalmente não se encontrariam. E isso, aos poucos, vai moldando a forma como a gente pensa.

Foi nesse ambiente que comecei a me interessar por temas que não eram, necessariamente, ‘do meu curso’. Turismo, gestão de políticas públicas… e, em algum momento, estatística. Não foi um plano. Foi curiosidade mesmo. Mas foi uma curiosidade que acabou mudando completamente o rumo da minha trajetória.

A USP, para mim, também foi prática de mundo. Participei do diretório acadêmico, me envolvi com o cursinho popular e foi ali que nasceu um vínculo muito forte com causas sociais. A experiência de repassar o que aprendi (entendendo o privilégio de ter tido acesso à educação e às oportunidades) mudou a forma como eu enxergo impacto. E isso nunca mais saiu da minha vida. Até hoje, sigo próxima desse universo, atuando como mentora voluntária e apoiando pessoas em transição de carreira, especialmente para a área de dados.

Perto da formatura, lembro de ouvir um conselho recorrente dos docentes: esperar alguns anos antes de fazer uma pós-graduação. Eu quase consegui. Aguentei seis meses.

Desde então, nunca mais parei de estudar. A USP planta na gente um impulso difícil de interromper: o de continuar aprendendo.

Voltei inclusive para a USP para fazer duas das minhas pós-graduações e fui, aos poucos, aprofundando algo que já vinha se desenhando: a conexão entre marketing, negócios e dados. Quanto mais eu aprendia sobre temas diferentes, mais claro ficava que a criatividade nasce justamente dessa mistura.

Hoje, atuo como Diretora de Inteligência de Crescimento de Negócios, liderando projetos que exigem exatamente esse tipo de conexão: traduzir dados em estratégia, conectar áreas que não falam a mesma língua e transformar análise em decisão. No fim, não é sobre saber tudo de uma coisa só, mas sobre conseguir juntar coisas diferentes de um jeito que faça sentido.

Ao longo da carreira, isso acabou me colocando em um espaço ainda pouco comum no mercado: o de alguém que transita entre marketing e ciência de dados. Às vezes chamam de ‘mosquinha branca’. Mas, na prática, vejo mais como consequência de uma formação que incentivou repertório amplo e  resolução de problemas.

Trabalhando com grandes empresas e projetos de inovação, fui percebendo um padrão: não faltavam dados. Faltava tradução. Faltava transformar números em direção.

Talvez por isso, anos depois, eu tenha decidido escrever um livro.

‘Traduzindo Dados: como transformar números em decisões’ nasceu desse incômodo que começou lá atrás, ainda na graduação. Sem muita pretensão, ele acabou encontrando seu espaço… e se tornou best-seller poucos dias após o lançamento. Mas, mais do que isso, abriu conexões com pessoas que vão muito além dele.

Hoje, quando olho para a minha trajetória, vejo que a USP me ensinou algo simples, mas muito poderoso: quanto mais repertório a gente constrói, mais possibilidades a gente enxerga.

E, muitas vezes, é justamente na conexão entre coisas improváveis que surgem os caminhos mais interessantes.”

O Escritório Alumni USP agradece a participação e parabeniza a egressa pelos importantes reconhecimentos alcançados em sua carreira!