{"id":5128,"date":"2020-08-12T13:33:59","date_gmt":"2020-08-12T16:33:59","guid":{"rendered":"http:\/\/www.alumni.usp.br\/?p=5128"},"modified":"2020-08-12T13:33:59","modified_gmt":"2020-08-12T16:33:59","slug":"alumni-em-destaque-amyr-klink","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/alumni.usp.br\/en\/alumni-em-destaque-amyr-klink\/","title":{"rendered":"Alumni em destaque: Amyr Klink"},"content":{"rendered":"<p class=\"p1\"><i>Em 1984, atravessou o Atl\u00e2ntico sozinho num barco a remo, hoje encara outro tipo de isolamento social, por conta da pandemia de covid-19<\/i><i><\/i><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"p1\">Se preferir, confira na \u00edntegra o \u00e1udio da conversa que tivemos por videoconfer\u00eancia. \u00c9 s\u00f3 dar o play no tocador abaixo para ouvir o nosso Podcast.<\/p>\n<audio class=\"wp-audio-shortcode\" id=\"audio-5128-1\" preload=\"none\" style=\"width: 100%;\" controls=\"controls\"><source type=\"audio\/mpeg\" src=\"http:\/\/www.alumni.usp.br\/wp-content\/uploads\/sites\/244\/2020\/08\/Alumni-em-destaque-Amyr-Klink.mp3?_=1\" \/><a href=\"http:\/\/www.alumni.usp.br\/wp-content\/uploads\/sites\/244\/2020\/08\/Alumni-em-destaque-Amyr-Klink.mp3\">http:\/\/www.alumni.usp.br\/wp-content\/uploads\/sites\/244\/2020\/08\/Alumni-em-destaque-Amyr-Klink.mp3<\/a><\/audio>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"p1\">Navegador, escritor e tamb\u00e9m economista. Formado em 1978 na Faculdade de Economia e Administra\u00e7\u00e3o (FEA-USP), Amyr Klink foi o primeiro a cruzar o Oceano Atl\u00e2ntico a remo, em 1984, o que gerou a escrita de um livro contando sobre aquela sua experi\u00eancia t\u00e3o desafiadora. Muito experiente das navega\u00e7\u00f5es, v\u00e1rias delas solit\u00e1rio, conversamos sobre o atual momento, em meio \u00e0 pandemia que deixou cidades inteiras ao redor do mundo com suas popula\u00e7\u00f5es em isolamento social. Al\u00e9m do relato de alguns momentos de suas viagens, as lembran\u00e7as de sua forma\u00e7\u00e3o acad\u00eamica e a maneira como a USP marcou sua vida.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_5252\" aria-describedby=\"caption-attachment-5252\" style=\"width: 640px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-5252 size-large\" src=\"http:\/\/www.alumni.usp.br\/wp-content\/uploads\/sites\/244\/2020\/08\/Captura-de-Tela-2020-08-17-\u00e0s-12.59.04-844x469.png\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"356\" data-id=\"5252\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-5252\" class=\"wp-caption-text\">Amyr Klink em nossa conversa por videoconfer\u00eancia<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"p1\">Da sua viagem em 1984, foi lan\u00e7ado o livro \u201cCem Dias Entre C\u00e9u e Mar\u201d. \u00c9 poss\u00edvel de alguma maneira tra\u00e7ar um paralelo com o isolamento social da pandemia atualmente? Este isolamento tamb\u00e9m tem servido para despertar sua criatividade ou a sensa\u00e7\u00e3o \u00e9 completamente diferente? Como lidar com o estresse desses dois tipos de isolamento?<\/p>\n<p class=\"p1\"><strong>Amyr Klink:<\/strong> Tem dois aspectos pra responder a sua pergunta. O primeiro foi a import\u00e2ncia da minha experi\u00eancia acad\u00eamica na USP. Fui muito cr\u00edtico do curso que fiz na FEA, porque a gente tinha muito poucos projetos a serem executados. Mas anos depois eu percebi o quanto essa experi\u00eancia foi importante. Fui remador durante 6 anos na raia ol\u00edmpica da USP, pelo Clube Esperia, que tem uma garagem na raia. Naquele tempo de remador que surgiu a oportunidade de criar um projeto real, com a travessia a remo no Atl\u00e2ntico. Eu n\u00e3o sentia estar realizando um sonho ou superando as minhas limita\u00e7\u00f5es e essas bobagens de auto-ajuda, eu estava feliz porque eu executaria o projeto da travessia. Eu sentia muita falta, na \u00e9poca da gradua\u00e7\u00e3o, de fazer um projeto ousado, pol\u00eamico, complexo e poder execut\u00e1-lo. A grande diferen\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o ao que estamos vivendo agora \u00e9 que n\u00e3o sabemos se estamos de fato cada dia mais perto de nosso objetivo. Ent\u00e3o a gente est\u00e1 vivendo um momento \u00fanico na hist\u00f3ria da humanidade, em termos de hiperconectividade, nunca estivemos t\u00e3o conectados mas a gente est\u00e1 sentindo na pele o quanto esse exerc\u00edcio do confinamento pode ser estressante, por mais conectados virtualmente que estejamos. Tenho v\u00e1rios amigos que est\u00e3o bem estressados com essa experi\u00eancia, que s\u00e3o acostumados a lidar com muita gente, conversar, bem humorados e que est\u00e3o sofrendo diante dessa reclus\u00e3o, principalmente em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 indefini\u00e7\u00e3o de quando acaba.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_5138\" aria-describedby=\"caption-attachment-5138\" style=\"width: 631px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-5138 size-full\" src=\"http:\/\/www.alumni.usp.br\/wp-content\/uploads\/sites\/244\/2020\/08\/barcos_iat_1.jpg\" alt=\"\" width=\"631\" height=\"425\" data-id=\"5138\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-5138\" class=\"wp-caption-text\">Amyr no barco I.A.T., utilizado na travessia do Atl\u00e2ntico Sul em 1984. Foto: divulga\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"p4\">Como essas viagens mais solit\u00e1rias mexeram com sua sa\u00fade mental, como voc\u00ea fazia para lidar com seus medos e ansiedades? E por outro lado, como aqueles per\u00edodos sozinhos lhe ensinaram a lidar melhor com as situa\u00e7\u00f5es que apareciam e voc\u00ea tinha que resolver no meio do mar?<\/p>\n<p class=\"p4\"><strong>Amyr Klink:<\/strong> Bom, o medo \u00e9 um dos problemas que voc\u00ea tem que resolver. E \u00e9 um problema que voc\u00ea n\u00e3o elimina, voc\u00ea aprende a conviver com ele. Antes de fazer a primeira grande experi\u00eancia em solit\u00e1rio, que foi uma viagem de 22 meses, eu conversei com muitos velejadores franceses que haviam tido experi\u00eancias em dupla.<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 <\/span>Quando eles terminavam uma experi\u00eancia longa de isolamento, mas n\u00e3o totalmente solit\u00e1ria, era a vontade de repetir a viagem, por\u00e9m sozinhos. A Fran\u00e7a tem essa cultura das viagens oce\u00e2nicas longas e solit\u00e1rias. Aquilo foi atraindo a minha curiosidade. E a primeira vez que eu fiz uma experi\u00eancia longa assim, passei 640 dias no mar, eu percebi algo engra\u00e7ado, quando voc\u00ea assume todas as tarefas que algum provedor cuida pra voc\u00ea &#8211; como cuidar do esgoto da casa, energia el\u00e9trica, distribui\u00e7\u00e3o de \u00e1gua, \u00e0s vezes at\u00e9 a comida voc\u00ea s\u00f3 encomende. Quando voc\u00ea se transforma no seu \u00fanico provedor, voc\u00ea come\u00e7a a reconhecer essas pessoas que trabalham pra gente, al\u00e9m de o tempo no mar passar numa velocidade impressionante, quando se est\u00e1 ocupado. Foi engra\u00e7ado quando acabou o ver\u00e3o, foi embora o \u00faltimo navio, o mar congelou, e eu sabia que s\u00f3 sairia de l\u00e1 9 meses depois, deu um frio na barriga mas imediatamente come\u00e7aram as in\u00fameras tarefas que eu tinha que resolver de manuten\u00e7\u00e3o, comida, aliviar os cabos de atraca\u00e7\u00e3o, tirar a press\u00e3o do gelo, neve do conv\u00e9s, a\u00ed o que aconteceu foi que de repente era junho, logo setembro, o sol voltando, e eu percebia que come\u00e7ava a ficar at\u00e9 atrasado. Ent\u00e3o aquela foi uma experi\u00eancia contundente mas muito gratificante.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"p4\">Outro aspecto deste seu livro que me chama aten\u00e7\u00e3o \u00e9 a calma que voc\u00ea tem que manter diante de situa\u00e7\u00f5es que ocorrem em alto mar. Como acha que \u00e9 poss\u00edvel manter esse auto controle?<\/p>\n<p class=\"p5\"><strong>Amyr Klink:<\/strong> Tem um aspecto interessante da vida num barco que \u00e9 voc\u00ea viver num ambiente de imprevisibilidade, mas onda h\u00e1 absoluta clareza e certeza de que se voc\u00ea errar, morre. Eu acho que essa certeza das consequ\u00eancias nos educam de uma maneira impressionante. Eu lembro que eu tinha um amigo em L\u00fcderitz, na Nam\u00edbia, e antes de eu partir para aquela viagem atl\u00e2ntica ele perguntou se eu queria levar algumas cervejas. Eu falei que n\u00e3o, porque \u00e9 muito peso e pouco \u00e1lcool, se for levar \u00e9 prefir\u00edvel levar algo muito forte. Esse meu amigo \u00e9 neto do Baden-Powell, fundador do escotismo, e ele tem uma loja de bebidas naquela cidade, ent\u00e3o ele me arrumou 5 garrafas da bebida mais forte que existia na loja dele. No meio da travessia, celebrando a metade do Atl\u00e2ntico, num domingo de calmaria, fui tomar um gole e me fez muito mal. Fiquei com medo, perdi a seguran\u00e7a, ent\u00e3o n\u00e3o tomei mais nada. O engra\u00e7ado \u00e9 que quando eu cheguei na Bahia, meu barco foi pro segundo distrito da Marinha, onde eu pedi pros marinheiros darem uma limpeza no por\u00e3o do barco. Quando retornei ao barco no dia seguinte, para fazer uma revis\u00e3o, descobri que eles acharam as garrafas no por\u00e3o. Era meio dia e pouco e eles estavam completamente b\u00eabados. Tomaram achando que era vinho ou algo assim, mas era um absinto fort\u00edssimo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"p4\">V\u00e1rias de suas viagens foram sozinho, mas em outras voc\u00ea viaja com tripulantes. Quais as diferen\u00e7as entre as duas situa\u00e7\u00f5es?<\/p>\n<p class=\"p4\"><strong>Amyr Klink:<\/strong> A experi\u00eancia de navegar sozinho ou em tripula\u00e7\u00e3o muito reduzida \u00e9 que ela exige uma demanda f\u00edsica e de compet\u00eancias muito grande. Mas h\u00e1 uma tranquilidade porque voc\u00ea \u00e9 completamente condutor da situa\u00e7\u00e3o. A experi\u00eancia que n\u00e3o quero ter e que v\u00e1rios amigos meus tiveram \u00e9 a de estar com uma tripula\u00e7\u00e3o grande, \u00e0s vezes n\u00e3o t\u00e3o competente e poder acontecer um acidente, a\u00ed voc\u00ea sente todo o peso da responsabilidade. Ent\u00e3o as viagens mais dif\u00edceis pra mim foram as que levei tripulantes ou a minha fam\u00edlia, com crian\u00e7as, filhos de amigos nossos. Estar em grandes latitudes, onde ningu\u00e9m brinca, em meio o gelo, com ondas muito grandes e ver um bando de crian\u00e7as correndo no conv\u00e9s \u00e9 uma sensa\u00e7\u00e3o absolutamente apavorante. Ali cai a ficha da responsabilidade que voc\u00ea tem. O meu curr\u00edculo que me orgulha bastante n\u00e3o s\u00e3o os recordes, viagens in\u00e9ditas, mas o fato de que das mais de 40 viagens pra Ant\u00e1rtica, mais da metade dessas eu viajei com tripulantes e eu nunca machuquei nenhum deles, por menor que fosse o acidente. E a frequ\u00eancia de acidente nesse meio infelizmente \u00e9 muito grande, por mexermos com tens\u00f5es muito grandes de cabos, roldanas etc.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_5137\" aria-describedby=\"caption-attachment-5137\" style=\"width: 640px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-5137 size-large\" src=\"http:\/\/www.alumni.usp.br\/wp-content\/uploads\/sites\/244\/2020\/08\/amyr_biografia_4-705x469.jpg\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"426\" data-id=\"5137\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-5137\" class=\"wp-caption-text\">Amyr em uma de suas viagens \u00e0 Ant\u00e1rtica. Foto: divulga\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"p4\">Como foi a passagem pela USP, o que mais te marcou daquele per\u00edodo? De que maneira profissional utilizou o conhecimento acad\u00eamico adquirido na USP?<\/p>\n<p class=\"p4\"><strong>Amyr Klink:<\/strong> Embora eu tivesse discord\u00e2ncias em rela\u00e7\u00e3o ao conte\u00fado do curso de Economia eu acho que a experi\u00eancia com os professores que tivemos na FEA foi incr\u00edvel. Mais do que grandes professores, foram grandes economistas, com uma grande miss\u00e3o pol\u00edtica. Carlos Viacava, Affonso Celso Pastore, Jo\u00e3o Sayad, Delfim Netto, Fernando Henrique Cardoso, Eduardo Suplicy. Al\u00e9m dos professores, foi muito intensa a pr\u00f3pria experi\u00eancia acad\u00eamica, e a conviv\u00eancia com colegas, como Aloizio Mercadante, v\u00e1rios outros economistas importantes que foram meus colegas. Acho que essa experi\u00eancia me ensinou muito a aprender a ouvir aquilo que eu n\u00e3o sabia fazer. Adoro engenharia, eu lido com v\u00e1rias quest\u00f5es das instala\u00e7\u00f5es n\u00e1uticas etc, discuto com qualquer engenheiro naval da Escola Polit\u00e9cnica.<\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"p4\" style=\"text-align: right\"><strong>&#8220;E isso eu aprendi nos anos que passei na USP. <span class=\"s1\">Voc\u00ea aprende n\u00e3o a administrar neg\u00f3cios e dinheiro, como a gente aprendia no mercado, mas a administrar compet\u00eancias. Isso ajudou muito para o que eu fa\u00e7o hoje. Hoje a gente tem um corpo de pessoas muito competentes que fizeram trabalhos in\u00e9ditos no mundo que nenhum outro estaleiro no mundo fez e eu acho que o m\u00e9rito dos resultados alcan\u00e7ados e dos barcos feitos para clientes foi essa capacidade de administrar compet\u00eancias diferentes e isso \u00e9 um legado que eu recebi da Universidade de S\u00e3o Paulo. Achei interessante o convite que voc\u00ea fez para falar sobre esse assunto pois temos um problema cultural no Brasil que \u00e9 essa desconex\u00e3o do ex-aluno com sua pr\u00f3pria universidade, coisa que n\u00e3o acontece nos Estados Unidos, por l\u00e1 acontece quase que uma d\u00edvida do ex-aluno com a institui\u00e7\u00e3o que o formou. E acho que t\u00e1 na hora de fazermos isso. A USP hoje tem v\u00e1rios problemas que considero ruins mas tem v\u00e1rios m\u00e9ritos que considero absolutamente \u00edmpares e acredito que a maneira de resolver problemas de or\u00e7amento para pesquisa, depende muito dos alunos e n\u00e3o do corpo docente, retribuir pra universidade a partir daquilo que eles ganharam.&#8221;<\/span><\/strong><\/p>\n<\/blockquote>\n<p class=\"p4\">Eu admito que eu falhei nesse sentido mas gostaria muito de poder retribuir tudo aquilo que conquistei pra Escola que me formou.<\/p>\n<p class=\"p4\">Al\u00e9m da conviv\u00eancia e discuss\u00f5es com grandes economistas &#8211; o que eu admito que n\u00e3o reconheci a import\u00e2ncia na \u00e9poca, mas foram muito importantes para tudo que eu faria nos anos seguintes &#8211; foi a conviv\u00eancia tamb\u00e9m com os colegas de remo. Pessoas com dificuldades econ\u00f4micas, que treinavam na raia mas que n\u00e3o tinha acesso a estudar na USP, foi tamb\u00e9m um aspecto importante na minha forma\u00e7\u00e3o. Adorei a experi\u00eancia tanto que conclu\u00ed o curso mas continuei ainda mais 2 anos remando na Raia Ol\u00edmpica da USP, at\u00e9 come\u00e7ar a trabalhar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_5136\" aria-describedby=\"caption-attachment-5136\" style=\"width: 312px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-5136 size-large\" src=\"http:\/\/www.alumni.usp.br\/wp-content\/uploads\/sites\/244\/2020\/08\/amyr_biografia_1-312x469.jpg\" alt=\"\" width=\"312\" height=\"469\" data-id=\"5136\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-5136\" class=\"wp-caption-text\">Amyr Klink. Foto: divulga\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n<p class=\"p4\">Como se d\u00e1 o seu processo de escrita? Quais s\u00e3o suas influ\u00eancias liter\u00e1rias?<\/p>\n<p class=\"p4\"><strong>Amyr Klink:<\/strong> Depois que eu terminei Economia, fiz um curso complementar de administra\u00e7\u00e3o, fora da USP. Acabei mudando para Parati e morei muitos anos l\u00e1. \u00c9 um lugar que tem uma conex\u00e3o muito \u00edntima com o mar mas eu nunca me atentei para elas. Eu descobri a hist\u00f3ria das viagens polares, relatos impressionantes, foi por meio dos livros. Eu me apaixonei pela literatura, fiz um curso de literatura francesa, que me abriu para esse universo liter\u00e1rio.<\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"p4\" style=\"text-align: right\"><strong><span class=\"s1\">&#8220;Na USP talvez uma parte extremamente importante do que aprendi n\u00e3o estava ligada exatamente ao conte\u00fado de economia, mas a tarefa de me expressar com clareza, de escrever os trabalhos.&#8221;<\/span><\/strong><\/p>\n<\/blockquote>\n<p class=\"p4\">E eu descobri que eu tinha n\u00e3o uma habilidade, mas sou muito exigente para escrever. N\u00e3o gosto de qualquer texto, tenho s\u00e9rias diverg\u00eancias com parte dos profissionais da escrita, se voc\u00ea pega os jornais de grande circula\u00e7\u00e3o em S\u00e3o Paulo \u00e9 impressionante como os textos hoje em dia s\u00e3o ruins, s\u00e3o textos de baix\u00edssima qualidade liter\u00e1ria. E o Brasil tem autores absolutamente exuberantes, inclusive muitos jovens. Em um barco voc\u00ea \u00e9 obrigado por lei a fazer um di\u00e1rio, mas isso n\u00e3o tem nada a ver com um livro, eu nunca escrevi um livro num barco. Um di\u00e1rio \u00e9 uma coisa ma\u00e7ante e chata de ler, mec\u00e2nico, cheio de n\u00fameros. Mas<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 <\/span>eu aproveitei esse h\u00e1bito de fazer os registros para depois das viagens escrever e acredito que fui bem sucedido. Os livros hoje n\u00e3o s\u00e3o mais meus, o \u201cCem Dias Entre C\u00e9u e Mar\u201d est\u00e1 com mais de 200 edi\u00e7\u00f5es h\u00e1 mais de 30 anos. Como se fosse um filho que voc\u00ea faz e joga no mundo. Talvez a maior alegria familiar que eu tenho \u00e9 que minha mulher conseguiu incutir esse h\u00e1bito da leitura e escrita nas minhas filhas. Temos 3 meninas, e as 3 tem estilos completamente diferentes, mas elas s\u00e3o muito exigentes com a escrita, principalmente a Tamara, que est\u00e1 na Fran\u00e7a. Acho que \u00e9 uma caracter\u00edstica que dever\u00edamos explorar mais no Brasil e no nosso sistema de ensino, a de escrever com concis\u00e3o, humor e conte\u00fado. Gosto muito e tenho muito respeito por quem vive da palavra escrita, com qualidade liter\u00e1ria.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"p7\" style=\"text-align: right\">Reportagem: Rodrigo Rosa<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em 1984, atravessou o Atl\u00e2ntico sozinho num barco a remo, hoje encara outro tipo de isolamento social, por conta da pandemia de covid-19 &nbsp; Se preferir, confira na \u00edntegra o \u00e1udio da conversa que tivemos por videoconfer\u00eancia. \u00c9 s\u00f3 dar o play no tocador abaixo para ouvir o nosso Podcast. &nbsp; Navegador, escritor e tamb\u00e9m [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":432,"featured_media":5252,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[30,1],"tags":[],"class_list":["post-5128","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-alumni-em-destaque","category-geral"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/alumni.usp.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5128","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/alumni.usp.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/alumni.usp.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/alumni.usp.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/432"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/alumni.usp.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5128"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/alumni.usp.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5128\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/alumni.usp.br\/en\/wp-json\/"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/alumni.usp.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5128"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/alumni.usp.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5128"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/alumni.usp.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5128"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}