{"id":3437,"date":"2019-07-22T09:29:47","date_gmt":"2019-07-22T12:29:47","guid":{"rendered":"http:\/\/www.alumni.usp.br\/?p=3437"},"modified":"2019-07-22T09:29:47","modified_gmt":"2019-07-22T12:29:47","slug":"alumni-em-destaque-oswaldo-lucon","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/alumni.usp.br\/en\/alumni-em-destaque-oswaldo-lucon\/","title":{"rendered":"Alumni em destaque: Oswaldo Lucon"},"content":{"rendered":"<p><em>Conhe\u00e7a o novo coordenador do F\u00f3rum Brasileiro de Mudan\u00e7a do Clima e sua experi\u00eancia profissional lidando com o aquecimento global<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Foi sob um forte sol, com o term\u00f4metro do celular apontando 29 graus Celsius, numa tarde de sexta-feira em pleno inverno, que caminhei pelo bairro paulistano de Pinheiros, em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 CETESB, onde iria entrevistar Oswaldo Lucon, o novo Coordenador do F\u00f3rum Brasileiro de Mudan\u00e7a do Clima. Fui sem carro, e como o ponto de \u00f4nibus era longe do meu destino, pude ir conversando comigo mesmo para passar o tempo e tentar pensar menos no sol que logo come\u00e7ou a me incomodar. Por n\u00e3o ter ido de carro, estaria eu fazendo minha parte contra a emiss\u00e3o de poluentes? Preocupa\u00e7\u00f5es de nossos tempos. Ou provavelmente, preocupa\u00e7\u00f5es de nossos tempos e da minha gera\u00e7\u00e3o e das mais novas. O entrevistado, em certo momento, passaria-me um dos dados que mais me chamou aten\u00e7\u00e3o ao longo de nossa conversa: nos Estados Unidos, metade das pessoas da idade dele n\u00e3o acredita em aquecimento global \u2013 n\u00famero muito alto \u2013 por\u00e9m, o dado esperan\u00e7oso \u00e9 que tr\u00eas quartos das pessoas da minha idade (os ditos <em>millennials<\/em>) j\u00e1 acreditam que a culpa do aquecimento global \u00e9 sim por conta das a\u00e7\u00f5es do homem e seus poluentes, e \u00e9 preciso fazer alguma coisa. A conta est\u00e1 chegando e \u00e9 para as novas gera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>A conversa foi bem produtiva, apesar de, n\u00e3o teria como ser diferente, preocupante. O entrevistado, Oswaldo Lucon, al\u00e9m de novo coordenador do citado F\u00f3rum, \u00e9, desde 2002, assessor de Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas do Secret\u00e1rio de Estado. Na CETESB \u00e9 funcion\u00e1rio desde 1992 e desde 1994 trabalha com aquecimento global. Formado em Engenharia Civil pela Escola Polit\u00e9cnica em 1986 e em Direito pela Faculdade do Largo S\u00e3o Francisco em 2004, ambas da Universidade de S\u00e3o Paulo. Fez seu mestrado na Inglaterra em Engenharia Qu\u00edmica e de Processos e o doutorado em Energia pelo atual Instituto de Energia e Ambiente da USP. Desde 2002 d\u00e1 aulas gratuitamente na p\u00f3s em Energia, onde fez seu doutorado.<\/p>\n<p>\u00c9 sobre sua trajet\u00f3ria na USP que come\u00e7amos nossa entrevista:<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Quais principais ferramentas sua gradua\u00e7\u00e3o em Engenharia na Escola Polit\u00e9cnica da USP forneceu para os primeiros passos na sua carreira? Voc\u00ea j\u00e1 tinha, na \u00e9poca, o interesse na \u00e1rea de Energia?<\/strong><\/p>\n<p>Oswaldo Lucon: Tenho 17 anos de experi\u00eancia com a USP como aluno e mais 17 como professor. A ferramenta que eu aprendi foi conseguir terminar em 5 anos a Poli. Se eu falar isso para um polit\u00e9cnico ele vai dar risada e vai entender, pois \u00e9 um curso dif\u00edcil.<\/p>\n<p style=\"text-align: right\"><strong>A gente aprende o conte\u00fado nas disciplinas, \u00e9 claro,<br \/>\n<\/strong><strong>mas eu acho que acima de tudo a gente aprende a se<br \/>\nvirar. Isso n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 na Poli, \u00e9 na USP, o que vejo como<br \/>\num ponto muito positivo. Eu acho que a liberdade que<br \/>\n<\/strong><strong> a USP d\u00e1 aos alunos \u00e9 algo bastante positivo, pois exige<br \/>\nresponsabilidades e interesse.<\/strong><\/p>\n<p>A princ\u00edpio n\u00e3o planejava trabalhar com Engenharia Civil, mas com o tempo passei a gostar de Meio Ambiente e trabalhar na \u00e1rea. Leva certo tempo at\u00e9 amadurecer a ideia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_3439\" aria-describedby=\"caption-attachment-3439\" style=\"width: 264px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-3439 size-large\" src=\"http:\/\/www.alumni.usp.br\/wp-content\/uploads\/sites\/244\/2019\/07\/oswaldolucon-264x469.jpg\" alt=\"\" width=\"264\" height=\"469\" data-id=\"3439\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-3439\" class=\"wp-caption-text\">O entrevistado em seu escrit\u00f3rio em S\u00e3o Paulo.<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>A liberdade que voc\u00ea via na Poli, via tamb\u00e9m no curso de Direito da USP?<\/strong><\/p>\n<p>Oswaldo Lucon: Sim, tamb\u00e9m. O que \u00e9 essa liberdade? N\u00e3o \u00e9 aquele professor que chega com <em>power points<\/em> e \u201cjoga\u201d mat\u00e9ria pra voc\u00ea, que te d\u00e1 uma apostila, e depois voc\u00ea faz a prova como est\u00e1 l\u00e1. Eu acredito que na USP haja um caos criativo e esse \u00e9 seu lado bom. Claro, h\u00e1 alguns pontos que podem ser criticados, melhorados, mas eu acho que \u00e9 um ambiente acolhedor para os estudantes, que d\u00e1 grandes possibilidades e acima de tudo \u00e9 gratuito. \u00c9 um grande servi\u00e7o e espero estar retornando para a sociedade o meu estudo na USP.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Ap\u00f3s um mestrado no exterior, desde seu doutorado de volta \u00e0 USP, voc\u00ea p\u00f4de observar diferen\u00e7as significativas em qu\u00e3o avan\u00e7ados est\u00e3o os estudos no Brasil em rela\u00e7\u00e3o ao exterior na \u00e1rea de Energia e preserva\u00e7\u00e3o ambiental, como compararia essas linhas de pesquisa na \u00e1rea aqui e na Europa?<\/strong><\/p>\n<p>Oswaldo Lucon: H\u00e1 25 anos eu colaboro com o IPCC, Painel Intergovernamental de Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas. Tamb\u00e9m fiz alguns trabalhos para o programa das Na\u00e7\u00f5es Unidas para o meio ambiente, dentre outras institui\u00e7\u00f5es. Tenho bastante contato com autores, com cientistas de fora e daqui. S\u00e3o contatos que eu reputo de alto n\u00edvel, que fazem com que a gente tente se nivelar. H\u00e1 grandes dificuldades, uma delas \u00e9 a barreira da l\u00edngua. Hoje o ingl\u00eas \u00e9 universal, atualmente as novas gera\u00e7\u00f5es j\u00e1 entendem isso, mas com as gera\u00e7\u00f5es anteriores nem sempre foi assim. Eu acho que uma grande dificuldade \u00e9 publicar e ter os artigos aprovados. Algumas revistas peri\u00f3dicas estrangeiras cobram para isso. Se voc\u00ea n\u00e3o est\u00e1 numa institui\u00e7\u00e3o financeiramente s\u00f3lida, voc\u00ea n\u00e3o consegue ter a continuidade necess\u00e1ria para amadurecer os trabalhos e as linhas de pesquisa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Se puder falar um pouco sobre sua pesquisa no doutorado. O que vem sendo feito pelo governo do Estado (CETESB) para combater a polui\u00e7\u00e3o e quanto ela potencializa o aquecimento global? H\u00e1 um Programa de Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas do Estado de S\u00e3o Paulo, se puder explicar o papel desse programa, que a\u00e7\u00f5es s\u00e3o realizadas por ele?<\/strong><\/p>\n<p>Oswaldo Lucon: Eu escrevi a Lei de Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas com a colabora\u00e7\u00e3o de outras pessoas, inclusive do Prof. Jos\u00e9 Goldemberg e de F\u00e1bio Feldman que s\u00e3o ex-alunos da USP. A quest\u00e3o das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas \u00e9 bastante complexa, \u00e9 ambiental e econ\u00f4mica, mas no fundo as s\u00e3o pol\u00edticas que a gente tem de perseguir diariamente. Devemos incorporar rapidamente os avan\u00e7os tecnol\u00f3gicos. Veja como a tecnologia veicular avan\u00e7ou, com a melhoria da qualidade de combust\u00edveis, por exemplo. Temos de lidar com uma enorme diversidade de fontes. A gente pensa em polui\u00e7\u00e3o como a chamin\u00e9 da ind\u00fastria, mas isso \u00e9 coisa de outros tempos. Quase dois ter\u00e7os de nosso PIB v\u00eam de servi\u00e7os, ent\u00e3o s\u00e3o com as fontes difusas que temos de lidar. A mitiga\u00e7\u00e3o da polui\u00e7\u00e3o possui muitos aspectos comportamentais, mostrando que sua mitiga\u00e7\u00e3o tem forte interface com a psicologia e a sociologia, dentre outras disciplinas. Digamos que \u00e9 preciso atacar as fontes de polui\u00e7\u00e3o e para isso a gente tem que ter a intelig\u00eancia de entender onde est\u00e1 o problema. Acho que a isso a Poli me ensinou muito bem.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Ent\u00e3o o que cada indiv\u00edduo faz tem um impacto importante?<\/strong><\/p>\n<p>Oswaldo Lucon: Imagine 10 milh\u00f5es de autom\u00f3veis desregulados ou pior, que j\u00e1 sa\u00edram de f\u00e1brica obsoletos. O impacto \u00e9 enorme. Os milh\u00f5es de aparelhos de ar condicionado que agora s\u00e3o utilizados para compensar o aquecimento dos ambientes, consomem bastante energia. A gera\u00e7\u00e3o dessa energia gera impactos. Boa parte dos res\u00edduos prov\u00e9m de padr\u00f5es insustent\u00e1veis de consumo. Estamos vendo a pol\u00eamica com os canudinhos de pl\u00e1stico, a sacola tamb\u00e9m \u00e9 criticada, mas a pergunta a se fazer \u00e9: como \u00e9 que se gerencia o problema do pl\u00e1stico? Como se substitui o produto, como se responsabiliza o produtor e o gerador do res\u00edduo? Como se permite o acesso de comunidades mais carentes a esses bens e servi\u00e7os, de uma forma equitativa e sustent\u00e1vel? A equa\u00e7\u00e3o \u00e9 muito complexa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Como voc\u00ea enxerga o movimento de protestos contra o aquecimento global, \u201cFridays for Future\u201d, da estudante sueca Greta Thunberg? Qual o papel das novas gera\u00e7\u00f5es nessa conscientiza\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o aos poluentes?<\/strong><\/p>\n<p>Oswaldo Lucon: Fundamental. O papel das novas gera\u00e7\u00f5es \u00e9 fundamental. Esse movimento chegou ao Brasil, batendo na nossa porta. Houve um protesto na frente da CETESB no come\u00e7o do ano. Conversei com a seguran\u00e7a e abri as portas, trouxe todos para o anfiteatro, foram todos para cima do palco, me sentei na plateia e permiti que eles falassem. Havia crian\u00e7as de 8 anos at\u00e9 jovens de 30, com m\u00e3es e professores. Tinha gente nervosa, alguns chorando. Eles come\u00e7aram a apontar o dedo para mim falando que sou o culpado pelo estado do planeta. Eu estou h\u00e1 27 nessa luta e reconhe\u00e7o o fracasso de minha gera\u00e7\u00e3o em ter resolvido o problema. Quando perguntam o que eles podem fazer, eu digo que protestar \u00e9 importante, mas se todos apenas protestarem a gente n\u00e3o vai conseguir resolver muita coisa. Nas redes sociais todos protestam o tempo todo, um contra o outro, mas \u00e9 necess\u00e1rio executar. Enquanto voc\u00ea protesta, h\u00e1 um funcion\u00e1rio de f\u00e1brica na \u00c1sia fazendo algum produto para vender para voc\u00ea. Agora, voc\u00ea vai realmente precisar daquilo que vai consumir? Ent\u00e3o pergunto: qual o futuro do Brasil? Teremos hamburguerias e cervejarias <em>gourmet<\/em> e o que mais? At\u00e9 quando trocaremos <em>tablets<\/em> de \u00faltima gera\u00e7\u00e3o por vag\u00f5es de min\u00e9rio de ferro? \u00c9 essa a op\u00e7\u00e3o que o Brasil vai fazer? Como nos tornaremos um pa\u00eds competitivo e sustent\u00e1vel se n\u00e3o for por meio da Universidade? Se n\u00e3o for por ela, n\u00e3o sei como.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Como \u00e9 trabalhar como coordenador do F\u00f3rum Brasileiro de Mudan\u00e7a do Clima, num governo federal que tem em uma parcela de seu eleitorado negacionistas do aquecimento global? Em que n\u00edvel as evid\u00eancias cient\u00edficas podem ser abaladas pela opini\u00e3o p\u00fablica por conta da prolifera\u00e7\u00e3o desse tipo de pensamento?<\/strong><\/p>\n<p>Oswaldo Lucon: Pergunta interessante. Bom, todos os governos t\u00eam eleitorados com seus pontos de vista e estes merecem ser respeitados, pois estamos numa democracia. Precisamos aceitar a diversidade de opini\u00f5es, coloc\u00e1-las dentro do debate e caso tragam fatos e evid\u00eancias s\u00f3lidas e robustas, consider\u00e1-lo. Estou h\u00e1 pouco tempo como coordenador, mas acompanho o F\u00f3rum desde que ele foi criado em 2001. Deu para ver muita coisa ao longo desses anos. O negacionismo \u00e9 um aspecto do eleitorado e isso \u00e9 resultado, em parte, de falhas na comunica\u00e7\u00e3o cientifica. Os cientistas perceberam que se encastelaram nas suas narrativas, herm\u00e9ticas demais, distantes do grande p\u00fablico. O grande p\u00fablico est\u00e1 acessando a rede social, a r\u00e1dio FM, o programa nos canais de televis\u00e3o. Isso \u00e9 resultado do que est\u00e1 acontecendo no mundo inteiro.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Foi desenvolvido um estudo sob a coordena\u00e7\u00e3o anterior do F\u00f3rum de \u201cComo chegar a emiss\u00e3o zero de carbono at\u00e9 2060 e como implementar o Acordo de Paris\u201d. Como o senhor avaliou esse estudo, o F\u00f3rum dar\u00e1 continuidade \u00e0s solu\u00e7\u00f5es propostas?<\/strong><\/p>\n<p>Oswaldo Lucon: O F\u00f3rum dar\u00e1 continuidade aos trabalhos. \u00c9 muito importante o F\u00f3rum transmitir essa ideia de continuidade e tranquilizar seus interlocutores. O F\u00f3rum precisa ouvir todos. N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil trabalhar toda essa informa\u00e7\u00e3o. O estudo Carbono Zero \u00e9 mais um estudo de cen\u00e1rios, temos cen\u00e1rios para tudo. As premissas desse estudo s\u00e3o muit\u00edssimo fortes e podem ser contestadas. Por exemplo, o Brasil continuaria a produzir petr\u00f3leo, mas o exportaria. Isso \u00e9 contraproducente para o aquecimento global. Acho muito dif\u00edcil se atingir o Carbono Zero, o que n\u00e3o implica que essa meta de inspira\u00e7\u00e3o n\u00e3o deva ser perseguida de todas as formas. \u00c9 melhor ter uma meta dif\u00edcil do que n\u00e3o ter nenhuma.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Vi que voc\u00ea tem a coautoria de um livro com o Prof. Jos\u00e9 Goldemberg chamado \u201cEnergia, Meio Ambiente e Desenvolvimento\u201d, poderia comentar um pouco sobre como \u00e9 poss\u00edvel esse desenvolvimento sustent\u00e1vel entre ambiente e energia?<\/strong><\/p>\n<p>Oswaldo Lucon: \u00c9 um livro j\u00e1 antigo, que precisa ser atualizado. O Prof. Goldemberg foi um dos pioneiros nessa \u00f3tica, portanto seu livro \u00e9 obra de refer\u00eancia. F\u00edsicos t\u00eam uma vis\u00e3o macro muito boa, enxergam ordens de grandeza. Eu passei a entender isso com o tempo. A seu pedido revisei o livro e pedi autoriza\u00e7\u00e3o para complement\u00e1-lo. No fim, escrevi o mesmo n\u00famero de p\u00e1ginas que ele. \u00c9 muito dif\u00edcil atualiz\u00e1-lo, mas adoraria fazer isso. A atualiza\u00e7\u00e3o esbarra nas dificuldades das novas realidades; ningu\u00e9m sabe, por exemplo, quais s\u00e3o os pontos de ruptura diante do aquecimento global ou como vai operar a Intelig\u00eancia Artificial. A pr\u00f3pria compila\u00e7\u00e3o de literatura publicada \u00e9 muito dif\u00edcil. Precisamos correr atr\u00e1s dos outros pa\u00edses e para isso precisamos que as institui\u00e7\u00f5es acad\u00eamicas sejam valorizadas. Verbas devem ser bem aplicadas dentro dessas institui\u00e7\u00f5es. Quem est\u00e1 dentro do sistema de educa\u00e7\u00e3o sabe bem o que estou falando. \u00c9 muito importante dar a m\u00ednima condi\u00e7\u00e3o de estabilidade para o jovem estudante, que possui o desejo de contribuir. A USP possui milhares de estudantes. Quantos destes se tornam vozes atuantes nas pol\u00edticas ambientais do pa\u00eds? Pouqu\u00edssimos. Quais s\u00e3o as refer\u00eancias jovens que temos na \u00e1rea ambiental na academia? Poucas. \u00c9 necess\u00e1rio incentivar isso.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Como voc\u00ea avalia as a\u00e7\u00f5es do atual Minist\u00e9rio do Meio Ambiente em rela\u00e7\u00e3o ao aquecimento global e desmatamento da Amaz\u00f4nia?<\/strong><\/p>\n<p>Oswaldo Lucon: \u00c9 uma pergunta delicada, pois h\u00e1 certo conflito de interesse. Como Coordenador do F\u00f3rum eu n\u00e3o devo expressar minhas opini\u00f5es pessoais. Despindo dessa roupa, dentro de uma \u00f3tica de professor universit\u00e1rio, n\u00f3s observamos v\u00e1rios movimentos pendulares, temos not\u00edcias que v\u00eam e que v\u00e3o, e \u00e9 importante que elas sejam lidas analisando todas as \u00f3ticas poss\u00edveis. Como o Brasil continua no Acordo de Paris, pretendo trabalhar para que se cumpram os compromissos assumidos. O governo que est\u00e1 a\u00ed foi escolhido pela vontade soberana da popula\u00e7\u00e3o e o Ministro \u00e9 uma pessoa escolhida pelo Presidente. Dentro desse quadro, quero contribuir para o melhor resultado poss\u00edvel para o meio ambiente e para a sociedade. Espero que pol\u00edticas fortes causem uma forte redu\u00e7\u00e3o em nossas emiss\u00f5es, porque a quest\u00e3o do aquecimento global \u00e9 urgente e importante.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Quanto \u00e9 poss\u00edvel para o Brasil substituir as energias f\u00f3sseis pelas renov\u00e1veis? Compete mais \u00e0s empresas ou mesmo a cada indiv\u00edduo?<\/strong><\/p>\n<p>Oswaldo Lucon: A todos. Basta ver o que est\u00e1 acontecendo l\u00e1 fora, n\u00e3o precisamos inventar a roda nem sair na frente, tem muita gente fazendo pesquisa, desenvolvendo alternativas. Vamos ver qual vai ser o tempo de atraso que teremos em rela\u00e7\u00e3o a essa tend\u00eancia. Se quisermos ser de fato um pa\u00eds desenvolvido e sustent\u00e1vel, precisamos acelerar nossos passos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: right\"><em>Texto: Rodrigo Rosa<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Conhe\u00e7a o novo coordenador do F\u00f3rum Brasileiro de Mudan\u00e7a do Clima e sua experi\u00eancia profissional lidando com o aquecimento global &nbsp; Foi sob um forte sol, com o term\u00f4metro do celular apontando 29 graus Celsius, numa tarde de sexta-feira em pleno inverno, que caminhei pelo bairro paulistano de Pinheiros, em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 CETESB, onde iria [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":432,"featured_media":3439,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[30,1],"tags":[],"class_list":["post-3437","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-alumni-em-destaque","category-geral"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/alumni.usp.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3437","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/alumni.usp.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/alumni.usp.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/alumni.usp.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/432"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/alumni.usp.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3437"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/alumni.usp.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3437\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/alumni.usp.br\/en\/wp-json\/"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/alumni.usp.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3437"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/alumni.usp.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3437"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/alumni.usp.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3437"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}