{"id":3352,"date":"2019-06-03T09:18:14","date_gmt":"2019-06-03T12:18:14","guid":{"rendered":"http:\/\/www.alumni.usp.br\/?p=3352"},"modified":"2019-06-03T09:18:14","modified_gmt":"2019-06-03T12:18:14","slug":"alumni-em-destaque-rafael-melhem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/alumni.usp.br\/en\/alumni-em-destaque-rafael-melhem\/","title":{"rendered":"Alumni em destaque: Rafael Melhem"},"content":{"rendered":"<p><em>Hoje produtor musical, o engenheiro compartilha sua experi\u00eancia em atuar fora da sua \u00e1rea de forma\u00e7\u00e3o<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Rafael Melhem se formou em 2014 em Engenharia de Materiais na Escola de Engenharia de Lorena, da USP. Por\u00e9m, ele representa um segmento de ex-alunos que, por diversas raz\u00f5es, n\u00e3o atuam na sua \u00e1rea de forma\u00e7\u00e3o. Produtor musical, hoje ele j\u00e1 tem estabilidade em sua profiss\u00e3o, em que tamb\u00e9m trabalha com a produ\u00e7\u00e3o de identidade musical (\u00e1rea do Marketing) para empresas. Na entrevista abaixo, ele nos conta mais sobre a necessidade que teve de se reinventar para entrar no meio do empreendedorismo. Para ouvir seu trabalho enquanto l\u00ea a reportagem, <a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/artist\/2fLmNYRlJhcLUJXWp9Bu47\">clique aqui<\/a>.<\/p>\n<figure id=\"attachment_3353\" aria-describedby=\"caption-attachment-3353\" style=\"width: 640px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-3353 size-large\" src=\"http:\/\/www.alumni.usp.br\/wp-content\/uploads\/sites\/244\/2019\/06\/Rafael-Melhem-Alumni-704x469.jpg\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"426\" data-id=\"3353\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-3353\" class=\"wp-caption-text\">Foto: acervo pessoal do ex-aluno<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>Voc\u00ea chegou a trabalhar com engenharia, fez est\u00e1gio ou n\u00e3o viu oportunidades no mercado na sua \u00e1rea?<\/strong><\/p>\n<p>R: Fiz est\u00e1gio por doze meses numa f\u00e1brica de para-choques em Taubat\u00e9, interior de S\u00e3o Paulo. Isso foi em 2013, um per\u00edodo com v\u00e1rias paralisa\u00e7\u00f5es e greves que antecederam as crises que estavam por vir no Brasil (principalmente no meio automotivo). Colei grau em mar\u00e7o de 2014 e, nessa \u00e9poca, as vagas para engenheiro rec\u00e9m-formado praticamente inexistiam, principalmente na \u00e1rea de engenharia de materiais. Mas o que aparecia na minha frente eu tentava, sempre sem sucesso, tentava muitas vezes vagas que n\u00e3o tinham a ver com engenharia.<\/p>\n<p><strong>Como surgiu o interesse\u00a0em ir para a produ\u00e7\u00e3o musical, \u00e1rea\u00a0um tanto distante da engenharia de materiais? Voc\u00ea aplica na atual profiss\u00e3o algum conceito de engenharia, ou que voc\u00ea atribua \u00e0 sua forma\u00e7\u00e3o na USP?<\/strong><\/p>\n<p>R: Quando meu pai faleceu, depois de dois anos lutando contra um c\u00e2ncer, a m\u00fasica era minha v\u00e1lvula de escape, ouvia muito jazz nessa \u00e9poca e eu ainda estava no meu segundo ano da faculdade. Em 2008 come\u00e7ou o interesse em entender mais sobre m\u00fasica e sempre tive habilidade de aprender temas de meu interesse sozinho, a engenharia refor\u00e7ou muito este lado. Ent\u00e3o, n\u00e3o s\u00f3 o curso me ajuda at\u00e9 hoje, no aspecto investigativo e de resolu\u00e7\u00e3o de problemas, como a vida universit\u00e1ria e o dia a dia em rep\u00fablica foram fundamentais para conseguir encarar novos desafios e tornar menos frustrante a migra\u00e7\u00e3o para um universo completamente novo, tal qual foi meu ingresso na USP, numa cidade totalmente diferente. Vejo muitos aspectos positivos de ter estudado engenharia na EEL e atribuo muitos acontecimentos atuais a esse per\u00edodo.<\/p>\n<p><strong>Como voc\u00ea\u00a0lidou com\u00a0essa frustra\u00e7\u00e3o com o mercado de trabalho em engenharia e transformou em energia para\u00a0empreender? H\u00e1 alguma dica para quem\u00a0possa estar numa situa\u00e7\u00e3o parecida \u00e0 sua na \u00e9poca de rec\u00e9m-formado?<\/strong><\/p>\n<p>R: N\u00e3o foi f\u00e1cil. Todos sabem que cursar engenharia n\u00e3o \u00e9 uma das coisas mais tranquilas de se fazer e, pra piorar, hoje eu me vejo mais como uma pessoa da \u00e1rea de humanas, o que torna a experi\u00eancia ainda um pouco mais traum\u00e1tica. Logo que colei grau, eu ainda acabei entrando no mestrado em uma universidade federal, mas n\u00e3o conclu\u00ed. Teve um ponto em que eu entendi que se voc\u00ea ficar olhando s\u00f3 para o aspecto negativo de toda a quest\u00e3o, a vida n\u00e3o anda. Minhas m\u00fasicas estavam se tornando minimamente conhecidas e, foi bem nesse momento que uma amiga \u2013 irm\u00e3 de um ex-colega de rep\u00fablica \u2013 estava trabalhando em um grupo de marcas de moda e me convidou para assinar a trilha sonora dessas marcas. Ent\u00e3o, em nenhum momento foi uma escolha que eu fiz, mas s\u00e3o essas situa\u00e7\u00f5es que a vida vai te levando para um caminho em que n\u00e3o h\u00e1 como prever ou ter algum controle. Foi uma sorte grande. Apesar de gostar muito da \u00e1rea de ci\u00eancia dos materiais, sendo at\u00e9 dif\u00edcil afirmar que jamais retomaria essa carreira, hoje a m\u00fasica \u00e9 minha vida e dedico praticamente todo o meu tempo profissional e meus estudos \u00e0 ela.<\/p>\n<p>Obviamente ainda encontro muitas dificuldades em algumas quest\u00f5es, mas se coubesse a mim dar alguma dica, seria que a pessoa fa\u00e7a alguns exerc\u00edcios de autoconhecimento e reconhe\u00e7a suas for\u00e7as, habilidades e fraquezas, isso ajuda muito a migrar para uma nova \u00e1rea. Entender, por exemplo, o que voc\u00ea faz de melhor ou o que acredita que faria de melhor e tem uma vontade ou desejo inexplic\u00e1vel de realizar. No mundo de alta exposi\u00e7\u00e3o que vivemos, conhecer a pr\u00f3pria personalidade tamb\u00e9m \u00e9 essencial. Me considero uma pessoa introvertida, amo ter o meu espa\u00e7o e isso se tornaria um grande problema se precisasse trabalhar em grandes equipes. Mas demorei pra entender isso, o que me fez perder muito tempo e dinheiro tentando entrar em empresas e vagas que n\u00e3o combinavam com essa personalidade. Atualmente estudo m\u00fasica e piano para ajudar na minha profiss\u00e3o, mas boa parte das minhas habilidades extracurriculares e sociais foram lapidadas nos meus anos de engenharia, \u00e9 isso que eu exalto e sou grato, porque elimina qualquer eventual frustra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Poderia contar mais sobre seu empreendimento? Como \u00e9 produzir identidade musical para marcas? Voc\u00ea produz tamb\u00e9m para fins art\u00edsticos? Se sim, qual g\u00eanero musical?<\/strong><\/p>\n<p>R: Tive que abrir a empresa e ter um CNPJ por quest\u00f5es burocr\u00e1ticas, n\u00e3o era algo que estava nos meus planos, a\u00ed entendi que no fim toda pessoa que trabalha com m\u00fasica acaba sendo uma empreendedora de si mesma. Ainda tenho que viajar para fazer reuni\u00f5es, cuidar de vendas, redes sociais e cuidar das cria\u00e7\u00f5es, eventualmente dar alguma palestra sobre o tema, \u00e9 nessa parte do empreendedorismo que eu me encontro, por assim dizer.<\/p>\n<p>Para quem n\u00e3o conhece, a identidade musical \u00e9 uma ferramenta de marketing para que uma marca possa se comunicar com o seu p\u00fablico alvo. Este p\u00fablico \u00e9 determinado pela faixa et\u00e1ria, poder aquisitivo, g\u00eanero, etc. Com base nessas caracter\u00edsticas, a identidade musical \u00e9 estudada e criada visando engajamento, vendas, tempo de perman\u00eancia e bem estar deste p\u00fablico.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m fa\u00e7o m\u00fasicas para fins art\u00edsticos, na verdade, foi assim que tudo come\u00e7ou. Comecei como pesquisador musical e aprendi a discotecar. Fiz aulas de piano e comecei a produzir minhas primeiras m\u00fasicas. Tive a sorte de grandes DJs do Brasil e exterior se interessarem pelas minhas m\u00fasicas e tocarem elas nas suas apresenta\u00e7\u00f5es, muitas vezes gravando em v\u00eddeo para me mostrar. Tenho m\u00fasicas lan\u00e7adas desde 2011 e, gra\u00e7as a essa exposi\u00e7\u00e3o, as coisas foram acontecendo. Meus g\u00eaneros preferidos s\u00e3o jazz e soul music. Logo, as m\u00fasicas que crio e produzo sempre t\u00eam essas influ\u00eancias, mescladas com m\u00fasica eletr\u00f4nica.<\/p>\n<p><strong>Voc\u00ea aprendeu teoria musical de maneira autodidata ou fez cursos? J\u00e1 se interessava na \u00e9poca de estudante de engenharia ou o interesse na \u00e1rea surgiu depois? Enquanto estudante, voc\u00ea imaginava que poderia ter uma carreira t\u00e3o diferente de engenheiro? A \u00e1rea que escolheu atualmente est\u00e1 s\u00f3lida?<\/strong><\/p>\n<p>R: Percebi que tinha essa habilidade autodidata, de maneira bem clara, no meu per\u00edodo de est\u00e1gio. Desenvolvi meu TCC (sob orienta\u00e7\u00e3o da excelente Rosa Conte, EEL-USP) dentro da f\u00e1brica, visando benef\u00edcios pr\u00e1ticos para eles e porque obviamente eu pleiteava ser efetivado. Mas essa foi uma daquelas experi\u00eancias chave, uma das mais importantes que eu tive pessoal e profissionalmente. Pois a necessidade de aprender temas dos mais diversos foi muito grande, usava conceitos e disciplinas que n\u00e3o eram comuns na minha gradua\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o, o aspecto investigativo foi muito forte, acabei aprendendo estat\u00edstica multivariada e programa\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m. Saber que eu tinha a capacidade de entender temas complexos, por conta pr\u00f3pria, foi fundamental quando um cliente precisou de um aplicativo para que as m\u00fasicas pudessem ser transmitidas por suas lojas espalhadas no Brasil. Eu tinha a habilidade de poder discutir e pesquisar aspectos t\u00e9cnicos, que um produtor musical ou m\u00fasico sem forma\u00e7\u00e3o na \u00e1rea de exatas provavelmente n\u00e3o conseguiria. De maneira autodidata, estudo temas mais aplicados \u00e0 \u00e1rea de engenharia de \u00e1udio, produ\u00e7\u00e3o e composi\u00e7\u00e3o musical, como jazz e improvisa\u00e7\u00e3o, mas tenho aulas com uma professora de piano cl\u00e1ssico que me ajuda com a quest\u00e3o de t\u00e9cnica e articula\u00e7\u00e3o no instrumento, estudo piano diariamente.<\/p>\n<p>N\u00e3o imaginei, por\u00e9m desejei que pudesse atuar com m\u00fasica, mas achava improv\u00e1vel que se tornaria realidade. Acho que a quest\u00e3o de \u201c\u00e1rea s\u00f3lida\u201d \u00e9 bem subjetiva e tempor\u00e1ria, engenharia era uma dessas profiss\u00f5es que diziam que era certeza de emprego a vida toda e hoje vemos que a realidade \u00e9 outra. Acho que no fim a dificuldade \u00e9 a mesma em todas as profiss\u00f5es, mas \u00e9 bem mais prazeroso trabalhar com algo que lhe brilhe os olhos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Hoje produtor musical, o engenheiro compartilha sua experi\u00eancia em atuar fora da sua \u00e1rea de forma\u00e7\u00e3o &nbsp; Rafael Melhem se formou em 2014 em Engenharia de Materiais na Escola de Engenharia de Lorena, da USP. Por\u00e9m, ele representa um segmento de ex-alunos que, por diversas raz\u00f5es, n\u00e3o atuam na sua \u00e1rea de forma\u00e7\u00e3o. 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