{"id":2564,"date":"2018-05-10T15:56:06","date_gmt":"2018-05-10T18:56:06","guid":{"rendered":"http:\/\/www.alumni.usp.br\/?p=2564"},"modified":"2018-05-10T15:56:06","modified_gmt":"2018-05-10T18:56:06","slug":"entrevista-com-ex-alunos-que-participaram-programa-poli-cidada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/alumni.usp.br\/en\/entrevista-com-ex-alunos-que-participaram-programa-poli-cidada\/","title":{"rendered":"Entrevista com ex-alunos que participaram do programa Poli Cidad\u00e3"},"content":{"rendered":"<p><em>Os ex-alunos da Escola Polit\u00e9cnica, Felipe Sampaio Ceccarelli e Fernando Gil relatam suas experi\u00eancias com o Poli Cidad\u00e3, programa que incentiva projetos e atividades de cunho social. Contam tamb\u00e9m sobre suas pesquisas enquanto estudantes e como foi o mercado de trabalho no in\u00edcio de suas carreiras<\/em><\/p>\n<h3><\/h3>\n<p>Felipe Sampaio Ceccarelli ingressou na Escola Polit\u00e9cnica em 1999. Optou, na Engenharia El\u00e9trica, pela habilita\u00e7\u00e3o em Energia e Automa\u00e7\u00e3o. Participou de algumas gest\u00f5es do Gr\u00eamio Polit\u00e9cnico, foi representante discente nos conselhos da Escola, al\u00e9m de editor do jornal \u201cO Polit\u00e9cnico\u201d. Formou-se em 2005.<\/p>\n<figure id=\"attachment_2565\" aria-describedby=\"caption-attachment-2565\" style=\"width: 470px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-2565 size-large\" src=\"http:\/\/www.alumni.usp.br\/wp-content\/uploads\/sites\/244\/2018\/05\/felipe-470x469.jpg\" alt=\"\" width=\"470\" height=\"469\" srcset=\"https:\/\/alumni.usp.br\/wp-content\/uploads\/sites\/77\/2018\/05\/felipe-470x469.jpg 470w, https:\/\/alumni.usp.br\/wp-content\/uploads\/sites\/77\/2018\/05\/felipe-300x300.jpg 300w, https:\/\/alumni.usp.br\/wp-content\/uploads\/sites\/77\/2018\/05\/felipe-150x150.jpg 150w, https:\/\/alumni.usp.br\/wp-content\/uploads\/sites\/77\/2018\/05\/felipe-768x766.jpg 768w, https:\/\/alumni.usp.br\/wp-content\/uploads\/sites\/77\/2018\/05\/felipe-64x64.jpg 64w, https:\/\/alumni.usp.br\/wp-content\/uploads\/sites\/77\/2018\/05\/felipe-45x45.jpg 45w, https:\/\/alumni.usp.br\/wp-content\/uploads\/sites\/77\/2018\/05\/felipe-200x200.jpg 200w, https:\/\/alumni.usp.br\/wp-content\/uploads\/sites\/77\/2018\/05\/felipe-400x399.jpg 400w, https:\/\/alumni.usp.br\/wp-content\/uploads\/sites\/77\/2018\/05\/felipe.jpg 1280w\" sizes=\"(max-width: 470px) 100vw, 470px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-2565\" class=\"wp-caption-text\">Foto: acervo pessoal do ex-aluno<\/figcaption><\/figure>\n<p>Conheceu o Prof. Dr. Antonio Luis de Campos Mariani, coordenador do Poli Cidad\u00e3, por meio de reuni\u00f5es de uma iniciativa do Gr\u00eamio chamada \u201cEscrit\u00f3rio Piloto\u201d, que tamb\u00e9m tinha como uma das premissas o desenvolvimento de projetos com relev\u00e2ncia e car\u00e1ter social. Felipe conta que a inten\u00e7\u00e3o da cria\u00e7\u00e3o do Poli Cidad\u00e3, se deu ap\u00f3s um congresso que a Escola Polit\u00e9cnica organizou para debater as diretrizes de qual deveria ser o perfil do estudante polit\u00e9cnico para os dez anos seguintes.<\/p>\n<blockquote><p>\u201cEntre as quest\u00f5es levantadas na confer\u00eancia, havia a necessidade de que a Engenharia tivesse uma fun\u00e7\u00e3o social mais clara e mais definida, especialmente partindo de uma universidade p\u00fablica.\u201d \u2013 explica o ex-aluno.<\/p><\/blockquote>\n<p>Por conta desses projetos, e por conta da experi\u00eancia em um est\u00e1gio que Felipe fazia junto \u00e0 USP para desenvolvimento de sites, ele se ofereceu para ser monitor do programa Poli Cidad\u00e3, e desenvolver um site com um banco de dados dos projetos dos alunos que participassem dele.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de sua participa\u00e7\u00e3o como monitor, resolveu inscrever\u00a0nele\u00a0seu TCC sob orienta\u00e7\u00e3o do Prof. Dr. Fernando Selles Ribeiro que, conforme relata tamb\u00e9m lhe ensinou valores de que \u201ca engenharia n\u00e3o serve apenas para otimizar tempo e custo, mas tem que ter uma fun\u00e7\u00e3o, tem que ajudar as pessoas de alguma forma, se n\u00e3o perde seu sentido\u201d.<\/p>\n<p>A partir do trabalho do Prof. Fernando que \u00e0 \u00e9poca foi um dos idealizadores do programa Federal de universaliza\u00e7\u00e3o do acesso \u00e0 energia el\u00e9trica chamado \u201cLuz para Todos\u201d, Felipe pesquisou ent\u00e3o como as distribuidoras de energia el\u00e9trica do Estado de S\u00e3o Paulo estavam trabalhando para alcan\u00e7ar a totalidade da popula\u00e7\u00e3o e a partir do estudo dos indicadores das distribuidoras de Energia, verificou se os processos de transmiss\u00e3o utilizados eram os com melhor custo-benef\u00edcio em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 verba federal disponibilizada. Ao longo de sua pesquisa, relata que foi uma boa experi\u00eancia observar que as empresas demonstravam interesse em cumprir as metas estabelecidas para que o acesso \u00e0 energia fosse universalizado. A conclus\u00e3o de sua pesquisa foi de que, apesar das restri\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas das distribuidoras, era importante utilizar modelos de distribui\u00e7\u00e3o mais simples (como o modelo MRT \u2013 monofilar com retorno por terra), para conseguir atingir mais pessoas. Relata que n\u00e3o sabe se, ap\u00f3s a conclus\u00e3o de sua pesquisa, as empresas atingiram as metas de universaliza\u00e7\u00e3o, mas que ver os c\u00e1lculos e f\u00f3rmulas matem\u00e1ticas terem uma aplica\u00e7\u00e3o real e social, e saber que as pessoas passariam a ter acesso a, por exemplo, ilumina\u00e7\u00e3o ou uma geladeira para manter seus alimentos, foi uma \u00f3tima experi\u00eancia. Elogia tamb\u00e9m o programa \u201cLuz Para Todos\u201d, que visava suprimir problemas como os das muitas fam\u00edlias que vivem literalmente embaixo de linhas de transmiss\u00e3o, mas n\u00e3o t\u00eam acesso a essa energia.<\/p>\n<p>Perguntado sobre as principais ferramentas que a Escola Polit\u00e9nica e o Poli Cidad\u00e3 lhe ofereceram para atuar no mercado de trabalho, o ex-aluno relembra que o programa foi importante para reunir e incentivar projetos socialmente relevantes, e resume sua experi\u00eancia em poucas palavras: \u201cA principal ferramenta foi aprender a encontrar solu\u00e7\u00f5es, \u2018aprender a aprender\u2019. Sabendo como encontrar respostas, \u00e9 poss\u00edvel resolver qualquer problema, mesmo os que ainda n\u00e3o existem\u201d. Al\u00e9m de adquirir experi\u00eancia em trabalhos em equipe, ele conta.<\/p>\n<p>Trabalhou diretamente com Engenharia El\u00e9trica somente por alguns meses numa consultoria de Energia, depois foi para a IBM, na sequ\u00eancia participou de uma <em>startup<\/em> que desenvolveu um sistema para corretores de im\u00f3veis. Agora est\u00e1 na empresa da fam\u00edlia, no setor industrial, onde procura aplicar no seu dia-a-dia a responsabilidade social que praticou na Poli.<\/p>\n<p>******<\/p>\n<p>Fernando Gil cursou Engenharia de Computa\u00e7\u00e3o na Escola Polit\u00e9cnica, de 2003 a 2007. Seu TCC foi sobre seguran\u00e7a de informa\u00e7\u00e3o. Mestrado na mesma \u00e1rea, de Engenharia El\u00e9trica, entre 2008 e 2011. Em seu mestrado, com orienta\u00e7\u00e3o do Prof. Dr. Jo\u00e3o Batista Camargo J\u00fanior, pesquisou a \u00e1rea de seguran\u00e7a aeron\u00e1utica. Al\u00e9m de gostar de avia\u00e7\u00e3o, conta, buscou estudar o tema pela import\u00e2ncia para a sociedade da quest\u00e3o da redu\u00e7\u00e3o de acidentes a\u00e9reos. Ao concluir o mestrado, fundou uma empresa de tecnologia assistiva \u2013 para pessoas com alguma defici\u00eancia.<\/p>\n<figure id=\"attachment_2566\" aria-describedby=\"caption-attachment-2566\" style=\"width: 359px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-2566 size-large\" src=\"http:\/\/www.alumni.usp.br\/wp-content\/uploads\/sites\/244\/2018\/05\/fernando-gil-2-359x469.jpg\" alt=\"\" width=\"359\" height=\"469\" srcset=\"https:\/\/alumni.usp.br\/wp-content\/uploads\/sites\/77\/2018\/05\/fernando-gil-2-359x469.jpg 359w, https:\/\/alumni.usp.br\/wp-content\/uploads\/sites\/77\/2018\/05\/fernando-gil-2-230x300.jpg 230w, https:\/\/alumni.usp.br\/wp-content\/uploads\/sites\/77\/2018\/05\/fernando-gil-2-115x150.jpg 115w, https:\/\/alumni.usp.br\/wp-content\/uploads\/sites\/77\/2018\/05\/fernando-gil-2-768x1003.jpg 768w, https:\/\/alumni.usp.br\/wp-content\/uploads\/sites\/77\/2018\/05\/fernando-gil-2-400x522.jpg 400w, https:\/\/alumni.usp.br\/wp-content\/uploads\/sites\/77\/2018\/05\/fernando-gil-2.jpg 787w\" sizes=\"(max-width: 359px) 100vw, 359px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-2566\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Canada Job Expo<\/figcaption><\/figure>\n<p>O contato com o Poli Cidad\u00e3 se deu quando o ent\u00e3o estudante entrou como monitor no programa para cuidar do site, com a sa\u00edda do colega Felipe Ceccarelli, no 3\u00ba ano de gradua\u00e7\u00e3o em Eng. De Computa\u00e7\u00e3o. No 5\u00ba ano Fernando come\u00e7ou a participar das atividades intensivas, que o Poli Cidad\u00e3 organizava em parcerias de outras universidades como o MIT \u2013 Massachusetts Institute of Technology. Ele era o coordenador de equipe de alunos, ou seja, ajudava a coordenar as viagens. Ao longo de todo seu mestrado, j\u00e1 n\u00e3o mais como monitor, Fernando continuou ajudando o programa de maneira volunt\u00e1ria, o que totalizou por volta de seis anos de atua\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Perguntado sobre sua \u00e1rea de atua\u00e7\u00e3o, se \u00e9 com a Engenharia De Computa\u00e7\u00e3o que se formou, Fernando opina que quando se chega ao mercado de trabalho, ele n\u00e3o costuma usar essas defini\u00e7\u00f5es de habilita\u00e7\u00f5es em Engenharia, por conta do leque de tarefas e atribui\u00e7\u00f5es. Ao concluir o mestrado, o ex-aluno abriu uma empresa com foco social. Foi desenvolvido pela sua equipe um aparelho port\u00e1til que permitia que portadores de defici\u00eancia visual pudessem saber a cor dos objetos com os quais o aparelho era posto em contato. Foi desenvolvida tamb\u00e9m uma vers\u00e3o do <em>software<\/em> que indicava qual era a cor das c\u00e9dulas de dinheiro. Trabalhou por quase quatro anos nesta empresa, com tecnologias para a \u00e1rea de acessibilidade, quando teve que finalizar as atividades da empresa por dificuldades de mant\u00ea-la, inclusive por ter focado em um p\u00fablico segmentado. A produ\u00e7\u00e3o do <em>hardware<\/em> esbarrou tamb\u00e9m em problemas de pouco incentivo no pa\u00eds para a \u00e1rea, como muitos impostos (de importa\u00e7\u00e3o das pe\u00e7as), leis e concorr\u00eancia com grandes empresas. Por conta dos impostos, a empresa precisou subir o valor dos aparelhos de acessibilidade, o que come\u00e7ou a perder o sentido para o ex-aluno, que queria universalizar o acesso \u00e0quilo. Com a chegada dos <em>smartphones<\/em>, v\u00e1rios aplicativos come\u00e7aram a oferecer servi\u00e7os similares, inclusive gratuitos. Por fim, outra dificuldade citada por ele para empreendimento, foi o enquadramento nas regras do MEI (micro empreendedor individual), para a \u00e1rea da empresa.<\/p>\n<p>Sobre ferramentas que a Escola Polit\u00e9cnica e o Poli Cidad\u00e3 lhe ofereceram para lidar com o mercado de trabalho, levanta aspectos como lidar com organiza\u00e7\u00e3o de projetos no site, organiza\u00e7\u00e3o de eventos, trabalho em campo \u2013 de forma a poder entregar um trabalho bom para a sociedade e a comunidade para qual eles estavam atuando. O que ele carrega at\u00e9 hoje foi o aprendizado em rela\u00e7\u00e3o aos m\u00e9todos de solu\u00e7\u00e3o de problemas. Frisa a import\u00e2ncia deste assunto e m\u00e9todos de engenharia que s\u00e3o lecionados logo no in\u00edcio da gradua\u00e7\u00e3o. Mesmo no mercado de trabalho, montando sua <em>startup<\/em>, o denominador comum \u00e9 a quest\u00e3o da solu\u00e7\u00e3o de problemas. Al\u00e9m de poder ter tido a chance de participar do Programa, que oferecia algo al\u00e9m das t\u00e9cnicas de engenharia, em rela\u00e7\u00e3o a quest\u00f5es de organiza\u00e7\u00e3o, planejamento, relacionamento com colegas e clientes etc.<\/p>\n<p>Sobre o engajamento social do polit\u00e9cnico, Fernando acredita que vem aumentando muito. E em parte por conta do Poli Cidad\u00e3, que ajudou a estruturar e organizar os alunos da Escola Polit\u00e9cnica em rela\u00e7\u00e3o ao assunto. Ele pr\u00f3prio n\u00e3o conhecia ainda muito o programa quando entrou nele para trabalhar, mas ao longo dos anos viu os alunos se interessando mais em se inscrever nas viagens, palestras, desenvolvimento de projetos, alguns logo ao ingressarem na gradua\u00e7\u00e3o. Quando retornou \u00e0 Poli para dar uma palestra sobre sua experi\u00eancia no Poli Cidad\u00e3, alguns anos ap\u00f3s ter conclu\u00eddo seu mestrado, surpreendeu-se por ter visto o n\u00famero de alunos que estavam desenvolvendo projetos vinculados ao programa. Boa parte dos estudantes que ingressa na USP tem o interesse no \u00e2mbito social, acredita o ex-aluno, apenas n\u00e3o t\u00eam muito conhecimento nas maneiras que podem fazer isso, e por isso por vezes acabam n\u00e3o se organizando nesse sentido.<\/p>\n<p>Mesmo que sem um v\u00ednculo direto com o engajamento social, ele opina, por fim, que s\u00f3 de participar de uma atividade extracurricular, qualquer seja ela, aquilo vai trazer alguma experi\u00eancia nova e din\u00e2mica de trabalho em equipe, valor muito importante para ele.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Texto: Rodrigo Rosa<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os ex-alunos da Escola Polit\u00e9cnica, Felipe Sampaio Ceccarelli e Fernando Gil relatam suas experi\u00eancias com o Poli Cidad\u00e3, programa que incentiva projetos e atividades de cunho social. 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