{"id":11087,"date":"2026-05-18T13:06:07","date_gmt":"2026-05-18T16:06:07","guid":{"rendered":"https:\/\/alumni.usp.br\/?p=11087"},"modified":"2026-05-18T16:51:17","modified_gmt":"2026-05-18T19:51:17","slug":"entrevista-frederico-maciel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/alumni.usp.br\/en\/entrevista-frederico-maciel\/","title":{"rendered":"Entrevista: Fred Maciel"},"content":{"rendered":"\n\n\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Agente de transforma\u00e7\u00e3o social, artista e gestor cultural, Frederico Eustaquio Maciel (conhecido como Negro F.) construiu, ao longo de mais de 25 anos, uma trajet\u00f3ria marcada pela articula\u00e7\u00e3o entre cultura, educa\u00e7\u00e3o e mobiliza\u00e7\u00e3o social. Atuando a partir da regi\u00e3o do Alto Vera Cruz, em Belo Horizonte, tornou-se uma das principais refer\u00eancias na valoriza\u00e7\u00e3o das culturas perif\u00e9ricas e na constru\u00e7\u00e3o de iniciativas que conectam arte urbana, pol\u00edticas p\u00fablicas e desenvolvimento social.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Sua atua\u00e7\u00e3o inclui a presid\u00eancia nacional da Na\u00e7\u00e3o Hip-Hop Brasil, a lideran\u00e7a do Instituto Vamos Juntos Periferia e a gest\u00e3o da Ag\u00eancia Graffiti BR, um neg\u00f3cio social voltado \u00e0 gera\u00e7\u00e3o de renda e oportunidades para artistas e empreendedores das periferias. Ao longo da carreira, acumulou reconhecimentos importantes, como o da <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Endeavor<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, o <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Trof\u00e9u Periferia Brasil<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, al\u00e9m de destaque em m\u00eddias nacionais, como no programa <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">\u00c9 de Casa.<\/span><\/i><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Sua forma\u00e7\u00e3o acad\u00eamica reflete uma trajet\u00f3ria constru\u00edda com prop\u00f3sito e persist\u00eancia. <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cMinha jornada acad\u00eamica foi constru\u00edda na contram\u00e3o das estat\u00edsticas para um jovem negro e perif\u00e9rico\u201d<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, afirma. Graduado em Design Gr\u00e1fico pelo Centro Universit\u00e1rio UNA, Negro F. recentemente concluiu o mestrado em Humanidades, Direitos e Outras Legitimidades pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ci\u00eancias Humanas (FFLCH) da USP, onde desenvolveu pesquisa sobre o territ\u00f3rio <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">L4 (Alto Vera Cruz, Taquaril e Granja de Freitas)<\/span> <span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0como um arranjo produtivo local pautado pela cultura negra e perif\u00e9rica.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Durante sua forma\u00e7\u00e3o, buscou integrar o conhecimento acad\u00eamico \u00e0 viv\u00eancia pr\u00e1tica nas comunidades. <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cO programa de Humanidades e Direitos me permitiu ressignificar o olhar sobre o Alto Vera Cruz e regi\u00e3o, n\u00e3o mais apenas como um lugar de car\u00eancia, mas como um territ\u00f3rio de pot\u00eancia e inova\u00e7\u00e3o\u201d<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, destaca. Essa perspectiva tem orientado sua atua\u00e7\u00e3o profissional, inclusive como docente na Funda\u00e7\u00e3o Dom Cabral, onde leva o debate sobre o potencial transformador das periferias para diferentes espa\u00e7os institucionais.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">\u00c0 frente de diferentes iniciativas, Negro F.\u00a0 comenta: <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cEsses projetos s\u00e3o frentes de uma mesma luta: a incid\u00eancia pol\u00edtica atrav\u00e9s da cultura\u201d<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, afirma. Segundo ele, as a\u00e7\u00f5es desenvolvidas em rede e nos territ\u00f3rios contribuem diretamente para o reconhecimento das periferias como espa\u00e7os de produ\u00e7\u00e3o de conhecimento e inova\u00e7\u00e3o. <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cEntendo que as favelas e comunidades urbanas s\u00e3o arranjos produtivos pr\u00f3prios. Quando conectamos o graffiti com os muros das escolas ou estruturamos redes de empreendedorismo perif\u00e9rico, estamos criando tecnologia social.\u201d<\/span><\/i><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">A experi\u00eancia no mestrado pela USP teve papel fundamental na consolida\u00e7\u00e3o dessa vis\u00e3o. <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cO mestrado me deu o arcabou\u00e7o te\u00f3rico para sistematizar o que eu j\u00e1 vivenciava desde 1995\u201d<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, explica. Para ele, a forma\u00e7\u00e3o acad\u00eamica ampliou a compreens\u00e3o da cultura como direito e como ferramenta de transforma\u00e7\u00e3o: <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cEle me permitiu entender a cultura n\u00e3o como um \u2018evento\u2019, mas como um Direito Humano e uma ferramenta de emancipa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica.\u201d<\/span><\/i><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">O reconhecimento p\u00fablico de sua trajet\u00f3ria tamb\u00e9m tem ampliado o alcance de seu trabalho. <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cOs pr\u00eamios servem como um escudo e um megafone. Eles validam nossa tecnologia social perante o \u2018asfalto\u2019 e abrem portas que historicamente nos foram fechadas\u201d<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, afirma. Ao participar de espa\u00e7os de grande visibilidade, como programas de televis\u00e3o e institui\u00e7\u00f5es de prest\u00edgio, refor\u00e7a o compromisso coletivo de sua atua\u00e7\u00e3o: <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cQuando eu entro em espa\u00e7os como a TV Globo, a Funda\u00e7\u00e3o Dom Cabral ou a USP, eu n\u00e3o entro sozinho \u2014 eu entro representando o Alto Vera Cruz, a <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0<\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Pedreira Prado Lopes e toda a viv\u00eancia da rua.<\/span><\/i><i><span style=\"font-weight: 400;\"> \u201d<\/span><\/i><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Para jovens das periferias e tamb\u00e9m do ambiente universit\u00e1rio, Negro F. deixa uma mensagem de afirma\u00e7\u00e3o e pertencimento: <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cN\u00e3o aceitem que definam a quebrada apenas pela aus\u00eancia ou car\u00eancia. Somos pot\u00eancia, somos criatividade e detentores de um saber que a universidade est\u00e1 come\u00e7ando a entender agora.\u201d<\/span><\/i><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Ao refletir sobre sua trajet\u00f3ria, ele tamb\u00e9m reconhece as ra\u00edzes que sustentam seu caminho. <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cMinha trajet\u00f3ria \u00e9 fruto do esfor\u00e7o das mulheres negras que me criaram\u201d<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, afirma, refor\u00e7ando o compromisso de seguir utilizando a arte e a cultura como instrumentos de transforma\u00e7\u00e3o social.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">O Escrit\u00f3rio Alumni USP parabeniza o egresso por sua hist\u00f3ria inspiradora e por sua contribui\u00e7\u00e3o para a valoriza\u00e7\u00e3o da cultura perif\u00e9rica, o fortalecimento das pol\u00edticas p\u00fablicas e a promo\u00e7\u00e3o da transforma\u00e7\u00e3o social no Brasil.\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Convidamos todos a conhecerem as obras de Fred, cliquem <a href=\"https:\/\/www.flickr.com\/photos\/graffitibh\/\">aqui <\/a>para visitar o seu portf\u00f3lio!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Egresso da FFLCH-USP, Negro F. atua na articula\u00e7\u00e3o entre cultura, direitos e transforma\u00e7\u00e3o social nas periferias, liderando iniciativas que fortalecem o Hip-Hop e o desenvolvimento comunit\u00e1rio no Brasil.<\/p>\n","protected":false},"author":24719,"featured_media":11089,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[30,1],"tags":[],"class_list":["post-11087","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-alumni-em-destaque","category-geral"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/alumni.usp.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11087","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/alumni.usp.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/alumni.usp.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/alumni.usp.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/24719"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/alumni.usp.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11087"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/alumni.usp.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11087\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":11110,"href":"https:\/\/alumni.usp.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11087\/revisions\/11110"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/alumni.usp.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media\/11089"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/alumni.usp.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11087"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/alumni.usp.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11087"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/alumni.usp.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11087"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}