De pesquisador em genética de populações a autor premiado de literatura fantástica que circula pelas principais feiras do país. A trajetória de Leonardo Menegatto, graduado pela ESALQ/USP e doutor pela FMRP/USP, mostra que o caminho entre a ciência e a arte não precisa ser excludente. Unindo a leitura de clássicos da biologia evolutiva à criação de universos ficcionais, ele transformou sua formação científica na matéria-prima de seus livros. Neste depoimento, ele compartilha como a USP serviu como o grande fio condutor de sua jornada, conectando o engenheiro agrônomo ao escritor e expandindo as fronteiras da sua carreira:
“A USP foi uma espécie de fio condutor da minha trajetória
Escrevo desde muito cedo e, diante de uma série de interesses, acabei decidindo por uma carreira cartesiana, mas sempre flertando com as humanidades. Ingressei em Piracicaba no curso de Engenharia Agronômica da ESALQ-USP em 2009, já entusiasmado pela área de Genética, e acabei por fazer área de concentração em Biotecnologia. Paralelamente, explorei outros campos do curso, incluindo a opção pela Licenciatura em Ciências Agrárias e a participação em diversos eventos, além dos estágios.
Em 2013 fui estagiário da então Dow AgroSciences, em Ribeirão Preto, e terminei a experiência junto das graduações decidido a fazer mestrado. Foi no início da pós-graduação em Genética e Melhoramento de Plantas, também pela ESALQ, que aprofundei meu conhecimento em Biologia Evolutiva e, defendida a dissertação no início de 2017, fui trabalhar em um projeto de pesquisa no Instituto de Zootecnia (IZ), da Secretaria de Estado de Agricultura e Abastecimento de São Paulo, em Sertãozinho, enquanto lia “A origem das espécies”, de Charles Darwin.
Acho que posso dizer que foi dessa saída da USP, assim como ocorrera no estágio, que me voltei os olhos para ela. Encontrei no IZ uma orientadora externa ao Programa de Pós-graduação em Genética da FMRP-USP e comecei o doutorado com a ideia de estruturar uma tese além da questão aplicada, manejando conceitos de Evolução e Genética de Populações. Na pandemia – com as dificuldades decorrentes do acesso ao experimento – mergulhei em clássicos de Charles Darwin e revisitei textos anteriores, incluindo diversos de cunho lírico ou religioso, de maneira que, ao terminar o curso, acabei vazando além dos artigos na área. Publiquei um livro infantojuvenil em 2024 (A fantástica aventura de Ferdinando e quem eu lá conheci, Novos Ases) e, o que era inicialmente uma brincadeira paralela ao meu trabalho, acabou se tornando um hobby sério.
O livro foi vencedor do Prêmio Book Brasil nas categorias Melhor Infantojuvenil e Obra Aclamado pelo Público e, diante de tal experimentação, testei outras narrativas em antologias, tendo vencido o Prêmio de Melhor Conto da Editora Fantástica. Escrevi sem parar a partir desse momento, publicando uma prosa poética de realismo fantástico em 2025 (Na estranha imagem entre nós, TAUP), pela qual recebi uma Moção de Aplausos da Câmara Municipal de Americana – minha cidade natal. Comecei a, cada vez mais, participar de feiras, festas literárias e rodas de conversa, estando com frequência em uma cidade diferente a cada final de semana (de Paraty a Joinville).
Este ano publiquei mais um livro (Compêndio das grandes e pequenas existências, Mondru), explorando o universo de criaturas fantásticas em cinco diferentes textos, incluindo uma mitologia épica, uma narrativa bíblica, um conto, um ensaio científico ficcional e uma narrativa confessional, reunindo toda a série de referências que me acompanharam da graduação ao doutorado. Isto é, da carreira de engenheiro agrônomo, dos artigos científicos e das leituras que fazia durante as dificuldades da pandemia, nasceu toda a ideia para a obra.
Acredito que a USP tenha sido, nesse sentido, o grande fio condutor da minha breve trajetória até aqui. Sou engenheiro agrônomo pela ESALQ, doutor em Genética pela FMRP e escritor pela tradução da história entre uma e outra.”
O Escritório Alumni USP agradece a participação e parabeniza o egresso por sua trajetória inspiradora que une o rigor científico à literatura. Sua dedicação em transformar o conhecimento da genética e da evolução em narrativas literárias premiadas, aproximando a ciência do imaginário e da cultura, serve de exemplo para toda a nossa comunidade acadêmica e para os futuros pesquisadores e escritores do país!