Da segunda turma do curso de Design na FAUD-USP à liderança em inovação no Hospital das Clínicas da FMUSP, a trajetória de Luciana Mattar demonstra como o olhar crítico e sistêmico desenvolvido na graduação podem promover crescimento profissional e gerar impacto direto na sociedade. Confira abaixo o depoimento de Luciana, uma egressa que personifica a versatilidade e o compromisso social da formação na Universidade.
“A USP me ensinou, antes de tudo, a fazer boas perguntas.
Entrei na FAU (atual FAUD) da USP como parte da segunda turma do curso de Design, em um momento em que o próprio campo ainda estava em construção dentro da universidade. Talvez por isso, desde o início, ficou claro que não se tratava apenas de aprender conceitos e técnicas, mas de desenvolver um olhar crítico, sistêmico e comprometido com a realidade ao redor.
Foi nesse ambiente que entendi o design como prática de escuta e mediação. Ainda como estudante, ao trabalhar como estagiária da Casa da Dona Yayá, com exposições como ‘Bixiga: Artes e Ofícios’, no Centro de Preservação Cultural da USP, aprendi sobre narrativas, memória e o papel do projeto na valorização da cultura e das pessoas.
Também foi na USP que vivi intensamente a coletividade via esporte. Como atleta de handebol e futebol, aprendi sobre pessoas, liderança e confiança, dimensões que não estão nos currículos formais, mas que são premissa para qualquer trajetória que envolva transformação.
Ao me formar, levei comigo essa base. Projetos como o desenvolvimento da sinalização do Allianz Parque, estádio do Palmeiras, já como recém-formada, reforçaram na prática o que a universidade havia me mostrado: o design tem escala, impacto e responsabilidade. Ele organiza experiências, orienta fluxos e influencia a forma como as pessoas se relacionam com os espaços e serviços.
Com o tempo, esse olhar me conduziu para um território muito mais desafiador e complexo: o sistema de saúde durante a pandemia. Hoje, à frente da área de inovação do Hospital das Clínicas da FMUSP, sigo aplicando —e expandindo— aquilo que a USP me ensinou. Trabalhar com inovação em saúde é, sobretudo, trabalhar com pessoas, em contextos de alta complexidade, onde soluções não podem ser impostas, mas construídas coletivamente.
Nesse caminho, projetos de tecnologia, inovação aberta, iniciativas no enfrentamento à COVID-19 e programas de formação em design e inovação reforçaram uma convicção: transformar o setor público exige método, colaboração e, principalmente, escuta.
Os reconhecimentos que vieram ao longo da trajetória, como o Brasil Design Award e o Don Norman Design Award 2024, são importantes. Porém, mais do que conquistas individuais, são sinais de que abordagens centradas nas pessoas e orientadas ao impacto social estão ganhando espaço.
Olho para trás e vejo que a USP não foi apenas o ponto de partida. Foi, e continua sendo, um espaço que forma repertório, amplia possibilidades e, sobretudo, instiga crítica e responsabilidade. Hoje sigo como pesquisadora no Doutorado.
Se há algo que levo dessa trajetória, é a certeza de que o conhecimento só faz sentido quando encontra o mundo. E que é possível, sim, construir caminhos profissionais que conectem excelência acadêmica com transformação concreta na vida das pessoas.”
O Escritório Alumni USP agradece a participação e parabeniza a egressa pelos importantes reconhecimentos alcançados em sua carreira!